Que negócio é esse?



Hoje acordei de madrugada, ando meio insone, o corpo cessa mas a cabeça continua martelando, martelando. Todo dia temos um monte de informações novas, coisas que aprendemos, coisas que vemos, coisas que nossos filhos aprenderam, constatações feitas depois de muita reflexão e experimentação, frutos de uma conversa inteligente ou não, tanto faz, é muita informação, acho que nem computadores dão conta de processar o tanto que todo dia nós temos que agregar. E ultimamente ando matutando sobre o grande negócio que se tornou apontar nossos medos e fraquezas.

Na verdade acho que nós mulheres somos mais vulneráveis, a gente tem mania de sentir culpa por tudo, sobre peso, nossa aparencia, tarefas por fazer, erros que cometemos no trabalho, nos relacionamentos e se nisso tudo a gente se sente super inapta em inumeras ocasiões, imagina então na maternidade onde literalmente a mãe tem uma responsabilidade enorme e acaba sendo muitas vezes o algoz de tudo.

Mas por que estou falando disso? Porque as vezes percebo que no mundo moderno existe uma indústria milionária que parece que curte tirar nossa auto confiança. Posso até estar redondamente enganada, mas não vejo propósito em milhões de livros se contradizendo sobre como criar filhos felizes e adultos seguros. Confesso que logo que tive a Amanda eu devorava revistas e guias sobre como cuidar de bebês, fazer assim e assado, mas depois com o tempo eu percebi que muitas vezes encontrava em mim mesma algumas respostas e comecei a me sentir mais certa sobre que o fazia. Obviamente nada dessa experiência me exime de fazer as tradicionais "cagadas" ( desculpem o termo) de vez em quando, mas como já falei repetidamente aqui, errar faz parte, a gente aprende tentando e o importante é sempre buscar melhorar e fazer com amor. Eu comecei a perceber que pra mim era furada me preocupar com o certo e o errado quando vi mães discutindo em fórum sobre como tratar o mesmo problema de forma diferente porque cada pediatra tem uma maneira de resolver. A pior parte é que algumas acabavam se odiando, brigando e jurando inimizade eterna por conta disso, o que é uma grande bobagem.

Ora bolas, se a medicina tem tantas formas diferentes de cuidar do mesmo problema segundo linhas diferentes, por que nós pais temos apenas uma forma correta de educar, alimentar e amar nossos filhos? Na verdade realmente só tem uma forma correta, aquela que eles realmente precisam, bebês e crianças tem personalidade e preferências, mas as vezes vejo que essa literatura de "auto-ajuda" ocupa um papel mais importante do que deveria e ao invés de analisarmos nossos filhos como indivíduos, usamos regras generalizadas porque é assim que tem que ser. Será?

Me questiono se elas vão ficar traumatizadas porque atrasei o presente de aniversário ou natal, ou porque naquele mês a grana apertou e decidi que quando a situação melhorasse eu então buscaria algo que elas gostassem. Sinceramente não sei, só sei que as vezes vejo conversas de mães sobre os presentes e fico pensando no quanto isso não torna ninguém mais feliz no futuro. Mas também vejo uma cobrança social para consumir mais, e presentear sempre. Por que? Eu não tiro a importancia do ato de comprar algo especial, mas precisa mesmo ser algo caro? Particularmente não vejo vantagem em gastar tanto com brinquedo, quebra rápido e eles sempre querem algo diferente. Aqui as vezes compro presente em brecho, sai barato e alguns brinquedos nunca se quer foram usados. Comprei a Casa da Barbie que a Amanda ganhou de dia das crianças em um, ela estava novinha, junto comprei vários outros brinquedos importados que se não fosse assim com certeza jamais compraria, porque os preços as vezes ultrapassam a renda de toda uma família. Não sou comunista nem socialista apesar de que adoraria ver todos felizes vivendo bem, contudo eu acho que tenho que desenhar um limite até onde posso ir sem exagerar na dose. Porque eu como mãe já comprei muita coisa desnecessária e vi depois o dinheiro dar adeus voando pela janela. Quantas vezes a gente gasta um dinheiro consideravel pensando que aquilo vai garantir muitos sorrisos, momentos de alegria e quando a criança abre o presente, ela joga de lado e fica com a caixa?
A gente só quer faze-los felizes, mas tem tanta coisa de graça que ninguém diz pra gente e tem efeito igual. As vezes só nossa atenção brincando vale muito mais.

Ai me vem a história da revista Época, eles falaram sobre o grito ser a nova palmada, mais um livro, mais uma teoria e sabe, eu discordo, eu acho que quem grita o tempo todo sem se importar com a reação dos filhos, quem só faz isso vai continuar fazendo e não vai ligar que sequer cogitaram em ser agressão. Na verdade duvido que muita gente se questione sobre essas coisas. Mas eu que uso o grito eventualmente quando uma situação de perigo eminente se apresenta, ou quando falo 10 vezes, senta e come agora seu almoço e ela continua dançando pela sala enquanto a comida esfria, ou quando quero que ela entenda que naquele momento ultrapassou os limites aceitaveis e estou perdendo a paciencia, não acho que vai me ajudar restringir minha maneira de agir por conta de mais uma consideração hipotetica sobre danos irreversiveis. Infelizmente nem toda criança atende a um pedido, as vezes rola mas depende da situação. Já comentei aqui uma vez que minha mãe é a pessoa que mais me critica como mãe e ela reclama que grito as vezes, aí outro dia eu fiquei na casa dela o dia todo, as meninas almoçaram lá, então eu calmamente conversando com ela e dando comida pra Amanda, chamei ela umas 15 vezes e nada, aí dei uma pausa e falei, "agora você vai ver porque tenho que gritar". Dei um berro e falei pra Amanda que se não sentasse naquele momento iriamos juntar as coisas e ir para casa, porque sem almoçar ela não poderia ficar brincando ali. Na mesma hora ela sentou e comeu direitinho. Como eu posso considerar isso uma agressão? A gente insiste porque ama e sabe que comer direito é importante.

Certo ou errado a gente faz o que precisa, mas eu tenho absoluta certeza que faço com amor, cuido direito, estimulo, converso, por que eu deveria me sentir insegura sobre ser mãe? O que importa de verdade não é vendido em livraria ou loja alguma, é paciencia e humildade. Cada família tem uma realidade diferente, seja ela financeira ou cultural, perceber que isso acarreta maneiras diferentes de vivenciar as coisas é importante e ensinar nossos filhos sobre os reais valores e necessidades também. Mas de verdade, a melhor forma de ensinar é com o exemplo, sendo pessoas melhores e pais participativos já estamos no meio do caminho para construir uma estrada melhor para eles, e o resto a gente usa a tecnica do tomateiro, a medida que entorta a gente vai lá e acerta a direção, assim ele cresce reto e pode sustentar seus belos frutos.

Se Deus é por nós, quem será contra nós?

Que seja apenas um amontoado de bobagens, mas ainda assim eu sei que expremendo tem sempre algo de bom nas abobrinhas. Quem é que nunca se questiona sobre essas coisas?

beijocas

12 comentários on "Que negócio é esse?"

Ju on Sábado, 07 Novembro, 2009 disse...

Venho lendo seu blog já há algum tempo e esse post foi um dos mais interessantes que vi.
Penso da mesma forma.
As vezes, passando por outros blogs, percebo como as informações acerca da maternidade e criação dos filhos é diversa e ao mesmo tempo tão unânime.
É estranho isso.
Lembrando da minha infância, as vezes penso se todo esse "conhecimento" (que se utiliza do respaldo científico para ter credibilidade) é de fato o mais correto, ou o melhor a se fazer, em detrimento de coisas mais subjetivas ou intuitivas.
Fazendo uma avaliação disso tudo, percebo que mesmo sem nenhum livro, revista ou manual, as pessoas antigamente tinham mais caráter, respeito e generosidade para com os outros.

ameixa seca on Sábado, 07 Novembro, 2009 disse...

Os pais são diferentes e as crianças são diferentes. Se existisse uma maneira certa de educar, existiria apenas um livro, né? A criança não quer nem pode ser comprada, ela precisa ser amada e educada. Um grito, uma palmada e um carinho fazem parte e não traumatizam ninguém. Mais vale um berro ou uma palmada do que a indiferença de certos pais. A indiferença sim... traumatiza :)

Cláudia Ramalho on Sábado, 07 Novembro, 2009 disse...

Elen, o que hoje é adequado, daqui a alguns anos poderá ser condenável... se formor levar nossas vidas pela opinião midiática, ou de livros de auto-ajuda, estaremos nos anulando. Isso porque acredito, como vc, que o grito pode ser um recurso de grande valia na educação. Se não for usado a torto e a direito.
Famílias que ignoram seus filhos e os deixam fazer o que quiserem, não castigam, não gritam, não punem, estão criando futuros marginais.
Prefiro que minhas filhas ouçam gritos de mim, que de estranhos na rua.
Assino embaixo de tudo que vc escreveu. (E escreveu muito bem, viu?)
Parabéns pelo texto.
Um cheiro

Lia on Segunda-feira, 09 Novembro, 2009 disse...

Adorei suas reflexões. Realmente, há muita pressão sobre as mulheres para a perfeição. O negócio é trabalhar isso na nossa cabeça, se convencer de que essa filosofia está errada, porque tenho a sensação de que o mundo não vai mudar tão cedo. E, se mudar, que comece por nós, né?

Lary e Rico on Segunda-feira, 09 Novembro, 2009 disse...

Oi Ellen , me identifiquei muito com seu post , pois penso da mesma forma. Já cheguei a me crucificar muito porque nao podia "acompanhar" as tendencias de consumo da minha filha , hj sei muito bem que isso é o que menos importa , com conversa amor e educação , ela vai crescer muito mais segura e confiante , e não vai ser a ausencia da mae pra comprar a nova casa da barbei que vai fazer isso.....
E qto aos gritos , acho que nem oito nem oitenta né , criança precisa sim de limites , se nao que filhos vamos deixar para o nosso mundo ne???um beijao

dannah5 on Segunda-feira, 09 Novembro, 2009 disse...

Que bom que concordam, tava me sentindo um alien em meio as outras maes conversando!Hehehe

Eu cresci com 2 irmas, faltou o brinquedo que queriamos muitas vezes, faltou ate aquela comida especial, mas hj olhando pra tras acho q minha infancia foi tao rica, nao sinto falta dessas coisas que nao tive, preso muito a parte humana q foi muito diversificada, as vezes boa, as vezes ruim mas isso faz parte. E obvio que nao acho q a palmada seja soluçao mas nao acho q ser amigo tbm seja, eles tem q ter uma noção de hierarquia, respeito, isso era mais definido antigamente nas familias. Algumas coisas melhoraram mas outras eu acho que pioraram tanto. Concordo com tudo que vcs falaram!

Eu vejo aqueles seriados supernanny, sos baba e fico perguntando como foi que chegou naquele ponto, eu jamais deixaria acontecer algo daquela maneira!
beijocas

Fabiana on Segunda-feira, 09 Novembro, 2009 disse...

Primeiro, vim agradecer a sua visita e os comentários no meu blog.
Amei!!!!
Sobre o seu post, tem dias que acordo como você, no meu caso é muito mais complicado, tenho um grande defeito(para uns é qualidade, para outros, defeito): sou perfeccionista.
E o pior, meu marido mora no Japão, então aqui, tenho que ser pai e mãe.
Quando acontece algum acidente, sou crucificada.
No começo não foi fácil, mas agora relaxei.
Acho que educar hoje em dia, ficou um pouco mais complicado, vc tem que proteger demais, porque hoje aparecem coisas, que antigamente não se ouvia falar tanto..violência, pedofilia, drogas.
Tem uma coisa que eu me sinto muito culpada: Minha filha sempre foi muito tímida, e tinha dificuldade para fazer amizades.
E as que vinham brincar com ela, era por interesse, ou pelo brinquedo dela, ou pelas panquecas doces que fazia todos os sabados.
As meninas, batiam aqui, e perguntavam se eu já tinha feito as panquecas, e íam embora sem chamar a minha filha para brincar.
Aí, acabei cortando todas essas amizades, afastei da minha filha as amigas interesseiras.
A psicopedagoga, disse que eu errei, que eu deveria ter deixado ela tentar se enturmar, ou ela mesmo perceberia aquilo e se afastaria sózinha.
Hoje, minha filha não tem nenhuma amiga aqui no condominio onde eu moro, por minha culpa.
Quis protegê-la e acabei prejudicando ela.
Errei tentando acertar.
bjs

Cucchiaio pieno on Segunda-feira, 09 Novembro, 2009 disse...

Uma verdadeira e cuidadosa mae tem mesmo estes tipos de preocupaçoes, mas voce é uma mae muito dedicada e sabe o modo de educar as meninas. Nao é sempre que agimos do modo que queremos e gritar numa emergencia nao ira' comprometer a educaçao amorosa que voce da' a elas!
Bjos amiga
Léia

Cynthia Santos on Segunda-feira, 09 Novembro, 2009 disse...

Amiga, falou muito (ahahaha) mas disse tudo!
Eu já fui escrava desses livros nos meus primeiros meses como mãe. Penamos muito, mas o tempo passou, Arthur e eu crescemos e hoje, cuido dele na base da intuição, do amor (que é incondicional, um lance que eu não entendia antes, mas que hoje, transborda do coração...). Nós nos cobramos tanto porque queremos ser perfeitas em tudo, em casa, no escritório, com os filhos, com o marido, verdadeiras mulheres perfeitas, como no filme. E quando vemos que não é bem por aí, sai de baixo! Acho que cada uma tem sem tempo, seu jeito e suas manias. Mas uma coisa é certa: tropeçando, caindo e levantando, nós estamos criando o futuro do planeta, e tenho certeza que esses bebês de hojes serão homens e mulheres muito melhores do que nós!
Beijão!

Pam Salzgeber on Terça-feira, 10 Novembro, 2009 disse...

Oi, ja passei pelo seu blog algumas vezes e hj gostei do que li, acho tbm que cada um tem uma maneira e essas teorias da moda de como educar crianças, só servem para nos condicionar e nos confundir, acho que nós ja temos o don de educar batsa estar em paz com o coração, sempre que achar necessa´rio buscar ajuda e adaptar cada idéia a sua realidade.

Cada caso é um caso, e cada casa é diferente.

parabéns pelo post e pelo blog.

Beijocas

Pam Salzgeber on Terça-feira, 10 Novembro, 2009 disse...

OI Dannah, gostei tanto do seu blog que mau cheguei ja to te deixando um selinho , ta lá no meu blog.

è de coração.

Semana de Paz
Beijocas

Daiane on Quarta-feira, 11 Novembro, 2009 disse...

Olá Elen!
Nossa que legal esse seu blog guria!Que bom que pelo menos achei que era só eu a mulher"neurótica"!rs*...vivo me perguntando e me culpando de tantas coisas...
Vendo vc falar que quando Amanda nasceu vc lia muito sobre bebês e tal...sou assim até hoje...desde gravida compro as revistas CRESCER...livro de supernanny,de pediatras...de educação Infantil...e sinceramente...queria muito ter uma menina...mas dái tem muitas coisas...que vi aí vc falar,e que me dizem NÂO pra outro filho...Tenho tantos sonhos que desejo ainda realizar...e tb não tenho carro,e no meu caso nem casa propria...daí é dificil sair com duas crianças pra cima e pra baixo de onibus...nessa violencia que anda a cidade...rai ai...as pessoas me perguntam pq não tenho outro filho pra matheus não se sentir tão só...mas minha querida é dificil...não só o R$ me preocupa...mas tb o "educar" nos dias de hoje estão muito dificieis.As crianças não são mais como no nosso tempo.OLha tô comentando um pouco de tudo que li aí tá?!...e dos presentes...rai ai...pq a gente sempre quer dar o mais caro pra eles hein?!rs*Sempre em datas de se dar presentes...é uma coisa...fico pensando no que dar,mas sempre a gente que se "encanta"mais do que os filhos né pelo brinquedo?!ririrri...vou entrar mais vezes aqui pra ver suas msgs...ah!vou pegar a receita de branquinho...não tentei fazer ainda só sei fazer negrinho=brigadeiro...rs*
beijos,pra vc e pras meninas!

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